Contexto
A Metalúrgica FuturInd, empresa fictícia com 62 colaboradores, dedica-se à produção de componentes metálicos para maquinaria industrial no distrito de Aveiro. Com um volume de negócios anual de 8 milhões de euros, a FuturInd abastece clientes nacionais e exporta para Espanha e França. O seu modelo de produção é misto: séries médias, com algumas encomendas personalizadas e lead times exigentes.
Apesar de ter investido num ERP de mercado há 4 anos, a FuturInd enfrentava problemas recorrentes de previsão de stock ERP. As equipas de planeamento e compras queixavam-se de:
- Rupturas inesperadas em matérias-primas críticas, levando a paragens de produção e atrasos em entregas.
- Excesso de stock em artigos de baixo consumo, ocupando espaço e imobilizando capital.
- Dificuldade em antecipar necessidades futuras devido a previsões baseadas apenas em relatórios históricos do ERP, sem visibilidade em tempo real.
- Decisões de compra reactivas, muitas vezes feitas “em cima da hora” para evitar falhas.
O impacto era sentido em custos acrescidos, desperdício de materiais, pressão sobre as equipas e risco de perder clientes por incumprimento de prazos.
“Sabíamos quanto tínhamos em stock... mas só depois de já ter faltado alguma coisa.”Jorge Simões, Diretor de Produção (fictício)
Solução implementada
Após um diagnóstico detalhado, a FuturInd optou por integrar o seu ERP com dashboards de previsão de stock em tempo real, desenhados à medida das suas operações. O objetivo era transformar dados dispersos em informação accionável, acessível a todas as áreas críticas — compras, produção e gestão.
Mapeamento dos processos e fontes de dados
A equipa de projeto começou por mapear os pontos de origem de dados relevantes para previsão de stock ERP: entradas e saídas de armazém, ordens de produção, encomendas de clientes, tempos de aprovisionamento e histórico de consumo. Foi essencial clarificar como estes dados eram lançados no ERP e identificar inconsistências (por exemplo, registos em atraso ou duplicados).
Em colaboração com os utilizadores-chave, foram definidos indicadores prioritários:
- Stock actual por artigo, local e estado (reservado, disponível, em controlo de qualidade...)
- Consumo médio diário e variação semanal
- Previsão de ruptura para próximos 7, 14 e 30 dias
- Alertas de baixo stock parametrizáveis
- Lead time real dos fornecedores principais
Integração técnica ERP-dashboard
O próximo passo foi garantir uma ligação eficaz entre o ERP (PRIMAVERA, solução fictícia) e os dashboards (Power BI). A equipa técnica desenvolveu APIs seguras para extrair os dados relevantes do ERP em intervalos de 15 minutos, assegurando a atualização quase em tempo real.
Os principais desafios técnicos incluíram:
- Normalização de dados vindos de diferentes módulos do ERP (compras, produção, armazém).
- Gestão de permissões e confidencialidade, para garantir que apenas utilizadores autorizados viam dados sensíveis.
- Validação de integridade dos dados: criação de scripts automáticos para detetar e sinalizar registos incoerentes.
Foi realizado um piloto com 3 famílias de artigos críticos, ajustando as regras de cálculo até garantir previsões fiáveis.
Criação e personalização dos dashboards
Com a integração estabilizada, avançou-se para o design dos dashboards interactivos, em colaboração directa com as equipas de compras e produção. Os dashboards disponibilizavam:
- Visão imediata do stock disponível e previsto por artigo
- Simulação de cenários: impacto de novas encomendas sobre o stock futuro
- Ranking de artigos com maior risco de ruptura ou excesso
- Alertas visuais e notificações automáticas por email ou MS Teams
Foram realizadas sessões de formação hands-on para todos os utilizadores, com feedback contínuo para adaptar o interface às necessidades reais do terreno.
Adaptação do processo de decisão diária
O principal salto qualitativo foi a transição de decisões reactivas para um planeamento diário fundamentado. As reuniões de arranque de dia passaram a incluir a análise dos dashboards, permitindo:
- Antecipar necessidades de compra e negociar melhor com fornecedores
- Reprogramar ordens de produção de acordo com a disponibilidade real
- Reduzir urgências e minimizar desperdícios por validade ou obsolescência
“Deixámos de correr atrás dos prejuízos. Agora antecipamos problemas e evitamos ruturas.”Sara Oliveira, Responsável de Compras (fictícia)
Stack e ferramentas usadas
- ERP PRIMAVERA (fictício): gestão de stock, compras e produção
- Power BI: dashboards dinâmicos e relatórios interactivos
- APIs REST customizadas: extração de dados em tempo real
- SQL Server: armazenamento intermédio e limpeza de dados
- Microsoft Teams: alertas automáticos e colaboração
- Python: scripts de validação e transformação de dados
Resultados alcançados
| Métrica | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Rupturas/mês | 11 | 3 |
| Tempo médio de resposta a alertas | 4 dias | 8 horas |
| Stock médio parado (mil €) | 145 | 86 |
Como replicar noutra PME
Este caso de uso é replicável noutras PME industriais que tenham um ERP implementado mas enfrentem desafios de previsão de stock ERP. Recomenda-se:
- Mapear os processos críticos e fontes de dados (incluindo os “buracos” e registos manuais)
- Definir indicadores-chave de previsão de stock relevantes para o negócio
- Garantir uma ligação estável entre o ERP e a plataforma de dashboards (Power BI, Tableau, etc.)
- Investir em formação e envolvimento dos utilizadores, adaptando os dashboards à realidade operacional
- Começar por um piloto restrito e escalar gradualmente
É fundamental tratar a qualidade dos dados de origem e envolver as equipas desde o início, assegurando que a solução responde às dores reais do negócio.
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